Acácio Alves
Uma forma de arte


 

Divagando
 

Uma forma de arte

 

Desde os tempos mais recuados do pensamento escrito, o homem vem procurando a expressão que defina a acepção específica do vocábulo Arte.

Mas a verdade é que todas as definições, das mais antigas às mais recentes, sempre deixam algo a desejar, ou um aspecto a incluir no sem âmbito, muito embora, por vezes, uma parte de tudo aquilo que deveria figurar na definição seja apresentada, por elas, com real felicidade.

Sumariamente, pode-se dizer que, para os antigos, desde os da mais remota antiguidade até à Renascença, passando pelo período áureo da Grécia, Arte foi imitação da Natureza em forma de Pintura, Escultura, Poesia e até mesmo Música, sem exclusão das imitações mais directas, como a representação teatral, a Dança e a Literatura de ordem meramente descritiva.

Modernamente, verifica-se que, nas obras de arte que restaram daqueles tempos, o artista pôs algo mais do que aquilo que ele apenas via na Natureza. Pôs também aquilo que ele sentia – que o emocionava – que o inspirava – ao contemplar a Natureza; algo que não se encontrava na Natureza em si mesma considerada, e sim na intimidade profunda da sensibilidade do artista. Mais modernamente ainda, e com base nos chamados que, a pouco a pouco, a Estética, como parte da Filosofia dedicada à Arte, foi realizando, chegou-se a uma distensão ao extremo dessa verificação.

Passou-se a admitir, então, que o artista pode prescindir da Natureza – afastar-se do que se denominariam formas naturais – tornar-se independente dos contornos sugeridos pela realidade objectiva, concebendo, por exemplo, uma árvore, ou um homem, ou uma casa, sem qualquer dos predicados que a árvore, ou o homem, ou a casa, acusam [quando materialmente existentes], ao espírito de quem os analisa sem pretender fazer arte

 Obrigados e bem vindos.

 

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