Divagando
Uma forma de arte
Desde os tempos mais
recuados do pensamento escrito, o homem vem procurando a
expressão que defina a acepção específica do vocábulo Arte.
Mas a verdade é que todas
as definições, das mais antigas às mais recentes, sempre
deixam algo a desejar, ou um aspecto a incluir no sem âmbito,
muito embora, por vezes, uma parte de tudo aquilo que deveria
figurar na definição seja apresentada, por elas, com real
felicidade.
Sumariamente, pode-se dizer
que, para os antigos, desde os da mais remota antiguidade até
à Renascença, passando pelo período áureo da Grécia, Arte foi
imitação da Natureza em forma de Pintura,
Escultura,
Poesia
e até mesmo Música, sem exclusão das imitações mais
directas, como a representação teatral, a Dança e a Literatura
de ordem meramente descritiva.
Modernamente, verifica-se
que, nas obras de arte que restaram daqueles tempos, o artista
pôs algo mais do que aquilo que ele apenas via na Natureza.
Pôs também aquilo que ele sentia – que o emocionava – que o
inspirava – ao contemplar a Natureza; algo que não se
encontrava na Natureza em si mesma considerada, e sim na
intimidade profunda da sensibilidade do artista. Mais
modernamente ainda, e com base nos chamados que, a pouco a
pouco, a Estética, como parte da Filosofia dedicada à Arte,
foi realizando, chegou-se a uma distensão ao extremo dessa
verificação.
Passou-se a admitir, então,
que o artista pode prescindir da Natureza – afastar-se do que
se denominariam formas naturais – tornar-se independente dos
contornos sugeridos pela realidade objectiva, concebendo, por
exemplo, uma árvore, ou um homem, ou uma casa, sem qualquer
dos predicados que a árvore, ou o homem, ou a casa, acusam
[quando materialmente existentes], ao espírito de quem os
analisa sem pretender fazer arte
Obrigados e bem vindos.
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